Que tal financiar o plantio de árvores com verbas da Saúde?

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A arquiteta e urbanista Mayra Rosa, fundadora do site Ciclovivo, escreveu uma interessante análise baseada num WhitePaper da organização The Nature Conservancy: por que não incluir a arborização das cidades nas verbas de financiamento de saúde? Afinal, árvores são comprovadamente benéficas para a saúde das pessoas e para o reequilíbrio planetário.

Respirar ar puro é o sonho de qualquer morador de uma grande cidade, ainda que ele goste muito do meio urbano. E as ruas arborizadas, além de bonitas e agradáveis, são comprovadamente benéficas para a saúde física e mental, lembra Mayra e seu artigo — parte dele reproduzida aqui.

Então, porque não incluí-las nas verbas de financiamento da saúde? É isso que questiona a organização The Nature Conservancy, que criou um documento onde explica e demonstra em números as razões pelas quais isso deve ser feito.

Um White Paper é uma espécie de guia, um documento oficial, que detalha um determinado problema, indicando causas, conceitos e, principalmente, soluções para enfrentá-lo.

O documento tem com base os Estados Unidos, onde se gasta menos de um terço de 1% dos orçamentos municipais em plantio e manutenção de árvores e, como resultado, as cidades norte-americanas perdem quatro milhões de árvores por ano.

“Imagine se houvesse uma ação simples que os líderes da cidade pudessem tomar para reduzir a obesidade e a depressão, melhorar a produtividade, aumentar os resultados educacionais e reduzir a incidência de asma e doenças cardíacas entre seus residentes. As árvores urbanas oferecem todos esses benefícios e muito mais” afirma a organização.

Mas, sabemos, alguns só se convencem quando os números entram na jogada. Por isso, foi estimado que gastar apenas oito dólares por pessoa, uma vez por ano, em média, em uma cidade americana poderia suprir a lacuna de financiamento e impedir a perda de árvores urbanas e todos os seus benefícios potenciais. Apesar do número não ser uma sugestão de valor, ele mostra que o investimento não é impossível.

Jundiaí elabora Plano de Arborização Urbana

Em Jundiaí, a responsabilidade do manejo da arborização urbana, quando pública, é da Unidade de Gestão de Infraestrutura e Serviços Públicos (UGISP) e, quando particular, da Unidade de Gestão de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (UGPUMA), conforme legislação municipal.

A UGISP contratou, em 2018, um Plano Municipal de Arborização Urbana do Município que foi entregue pela empresa e está em análise para implantação neste ano, segundo informa a Prefeitura.

O plano envolve o levantamento arbóreo e diagnóstico, com metas e ações, a médio e longo prazo.

Atualmente, os plantios são realizados para cumprimento de Termos de Compromisso de Recuperação Ambiental (TCRA) de competência do Município, além das compensações pertinentes às remoções necessárias nas áreas públicas e das reposições em atendimento a pedidos de munícipes.

As áreas remanescentes são acompanhadas pelo trabalho em conjunto com o pelo Departamento de Parques, Jardins e Praças (DPJP) e do Jardim Botânico, e envolve o levantamento dessas áreas e a preservação desses ecossistemas nativos.

Já a manutenção dos parques é realizada pelo DPJP, que realiza o manejo e reposição das espécies.

A Prefeitura destaca ainda que as ações em relação à arborização envolvem também a educação ambiental nos plantios e nas visitas monitoradas no Jardim Botânico e na Unidam.

Investimento desigual

De acordo com a The Nature Conservancy, no entanto, investimento no plantio de novas árvores – ou mesmo em cuidar daquelas que existem – é perpetuamente subfinanciado.

Apesar das evidências (e isso com base no estudo realizado nos Estados Unidos), diz o relatório, as cidades estão gastando menos em árvores do que nas décadas anteriores.

Além disso, com muita frequência, a presença ou ausência da natureza urbana está ligada ao nível de renda de um bairro, resultando em enormes desigualdades na saúde.

Em algumas cidades americanas, as expectativas de vida em diferentes bairros, localizadas a poucos quilômetros de distância, podem diferir em até uma década — algo que acontece também no Brasil.

Nem toda essa disparidade de saúde está conectada à cobertura arbórea, mas os pesquisadores estão cada vez mais certos de que bairros com menos árvores têm piores resultados de saúde, por isso a desigualdade no acesso à natureza urbana piora estes diferentes níveis de saúde.

Como ter mais árvores na cidade

O documento traz uma série de dicas que podem ser aplicadas pelo poder público e privado. Confira abaixo as principais delas:

– Implementação de políticas para incentivar o plantio privado de árvores.

– Mais trocas municipais que facilitem a colaboração de vários departamentos -, como órgãos de saúde pública e agências ambientais.

– Vincular o financiamento de árvores e parques a metas e objetivos de saúde.

– Investir tempo e esforço na educação da população sobre os benefícios tangíveis da saúde pública e o impacto econômico das árvores.