Prefeito defende represa e diz que precisa pensar no futuro da cidade

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O prefeito Luiz Fernando Machado (PSDB) deu um longo depoimento ao jornalista Cícero Henrique, da Rádio Cidade, na sexta-feira, 22, onde defende a desapropriação da Fazenda Ribeirão, na Serra do Japi, para a construção de uma represa de abastecimento de água

Luiz Fernando disse que precisa pensar a cidade para os próximos 30 anos e que a questão da água é vital para o desenvolvimento, especialmente do Vetor Oeste, área de grande concentração de empresas, entre elas a Ambev e a Coca-Cola, grandes consumidoras de água.

O prefeito chamou de irresponsáveis algumas críticas ao projeto feitas, através de redes sociais, por pessoas que ele classificou como: uma esquerda raivosa com uma orientação ideológica maléfica pro País e pro Estado e aqui para a cidade.

Luiz Fernando disse ainda que não deixar de lado sua responsabilidade de discutir o futuro do abastecimento da cidade e que feitas as avaliações caberá à população decidir.

Acompanhe aqui os principais trechos da entrevista-depoimento de Luiz Fernando Machado ao jornalista Cícero Henrique.

A área que foi estabelecida tecnicamente como a área viável para este processo é exatamente a área da fazenda Ribeirão. Esta fazenda não será na sua totalidade desapropriada. Ela tem uma área total de 667 mil metros quadrados e o que nós estamos declarando de utilidade pública são 216 mil metros quadrados.

Eu olho pra cidade e penso daqui a 30 anos. Assim como hoje todos nós nos orgulhamos dos prefeitos que tivemos há 20, 30, 40 anos que pensaram lá atrás na preservação da água.

Poucos sabem, mas eu tenho a oportunidade de dizer, que eu nesse início de terceiro ano de governo já aumentei em 1 bilhão de litros de água o acúmulo ali na represa da DAE. Nós fizemos o vertedouro, ampliamos a dimensão do vertedouro e ali nós temos mais de 1 bilhão de litros d’água. A capacidade total que era de 8,3 bilhões passou para 9,3 bilhões de litros.

Estamos fazendo outros investimentos em sistemas de reservatórios aqui na cidade. Esses não são investimentos que as pessoas podem ver na frente de suas casas, mas são investimentos que resguardam a preservação social e econômica do futuro da cidade. Por isso essa discussão será feita

Eu acompanhei as entrevistas e os movimentos que foram feitos nas redes sociais. Muito daquilo ali é da paixão que o seu Antonio (Antonio Mendes Pereira) tem pela propriedade dele, que ele tem absolutamente razão de ter essa paixão, farei de tudo para preservar o aspecto cultural e histórico daquela fazenda, até porque entendo que é justo e legítimo o pleito dele.

Agora não vou abrir mão de fazer uma discussão, que é importante que se diga, que não ficará pronta no ano que vem, não ficará pronta possivelmente daqui a três, quatro, cinco anos. Isso não é uma obra nem um planejamento que você executa pra entregar no seu próprio governo. Isso é algo que você faz pensando nas futuras gerações. E eu não posso me furtar dessa discussão na cidade.

É muito importante que todos saibam que a região Oeste da cidade é abastecida por uma única adutora. Se nós tivermos um único problema como tivemos recentemente, com um curto circuito na parte elétrica da casa de bombas, nós paramos o abastecimento da cidade. Nós paramos por exemplo empresas do setor alimentício que estão ali localizadas como a Coca Cola e a Ambev.

Então eu tenho necessariamente que pensar em todo o aspecto cultural, a valorização social, a valorização ambiental. Nós não abrimos mão de fazer de modo absolutamente correto, tem que pensar em tudo isso. Agora, por outro lado eu não posso me furtar de dizer à cidade, e aliás vou fazer o registro a minha assessoria que grave essa entrevista para a posteridade. Quero daqui a 20, 30 anos ser conhecido como alguém que pensou em 2019 num sistema que viesse complementar o existente hoje.

Jundiaí sempre se diferenciou exatamente pelo seu caráter de investimento preventivo. É o que eu disse dos prefeitos de 30 anos atrás. Quem fez isso hoje nos dá a felicidade de circularmos pelo país e ouvimos que Jundiaí é uma referência em saneamento e água e nós estamos crescendo.

A região Oeste de Jundiaí é uma região de crescimento, é onde está o nosso Distrito, onde estão inúmeras empresas que demandam esse bem que é a água. Então eu compreendo claramente as manifestações contrárias, eu compreendo até mesmo aqueles que se utilizam de má fé para divulgar informações falsas com relação a esse ponto (eu acompanhei pelas redes sociais na noite de ontem na manhã de hoje) e vejo alguns dizendo de ações imobiliárias, investimentos que valorizam para a especulação imobiliária. Ou seja, uma completa irresponsabilidade que mistura um assunto que não tem nenhuma relação com o sistema que estamos buscando.

Essa desapropriação, ou melhor, essa declaração de utilidade pública da Fazenda Ribeirão para implantação do sistema de abastecimento de água denominado por nós de Sistema Caxambu, foi publicada sim agora no dia 6 de fevereiro. Nós temos uma necessidade enorme de promover o aprofundamento dos estudos técnicos, é muito importante, eu sei que é difícil para o cidadão compreender termos técnicos da administração pública, mas eu quero afirmar que ela foi declarada de utilidade pública para fins de desapropriação. Eu tenho cinco anos, a partir do dia 6 de fevereiro de 2019, para deliberar sobre a medida que será ali utilizada.

E, obviamente, isso será feito com absoluto respeito e discussão da nossa comunidade. A cidade precisa entender o que quer para o seu futuro. O que estou dizendo aqui e reitero não é uma obra que se entrega em um mandato, não é uma obra que se entrega em um próximo mandato, mas alguém precisa iniciar essa discussão que diga claramente para a sociedade isso que é verdade: nós não somos uma cidade rica em mananciais de superfície.

A nossa cidade é uma referência em saneamento básico graças aos projetos e ações realizadas ao longo dos últimos 40 anos. Não é graças a mim, não é graças à equipe que está no DAE hoje mas é graças a alguém que pensou 40 anos atrás que o município teria que ter garantia para enfrentar crises hídricas. E a resposta veio em 2014 e 2015 quando o Estado de São Paulo parou para discutir racionamento de água — Jundiaí fez a sua parte mas garantiu o abastecimento para sua população.

Esse projeto para a construção desse novo conjunto de represas do Vetor Oeste faz parte das ações que visam assegurar o abastecimento da cidade não no ano que vem, não daqui a dois anos, mas é pros meus filhos, pros seus netos, pra aqueles que estão nos ouvindo agora e querem trabalhar. Que trabalham na Coca Cola e na Ambev e essas empresas precisam ter a garantia do abastecimento de água.

Então eu não gostaria, com muita sinceridade e honestidade, eu não gostaria de polemizar com o nível raso essa discussão, polemizar com um nível absolutamente emocional sem nenhuma racionalidade na discussão. Esse conjunto de represas foi divulgado em março de 2017, quando eu cheguei ao governo. Eu chamei a nossa equipe, chamei o grupo que lá estava, três meses depois de sentar na cadeira para que orientasse o Rio das Pedras, o Ribeirão Ermida e o Ribeirão Cachoeira para um sistema de abastecimento.

Esse tema está sendo discutido internamente pela DAE desde o ano 2000 quando a empresa procurava por regiões que pudessem abrigar novas represas. E chegou o momento, 19 anos depois chegou o momento de nós enfrentarmos essa discussão. Eu estou disposto a enfrentar em audiências públicas, em encontros públicos, em debates que sejam honestos intelectualmente porque o que se vê especialmente, e não é o caso do Antonio, é uma esquerda raivosa com uma orientação ideológica maléfica pro País e pro Estado e aqui para a cidade quando se misturam assuntos.

Ontem alguns irresponsáveis diziam que esse investimento tem correlação com a especulação imobiliária e com a instalação de empreendimentos na Serra do Japi. Ou seja: são completos desinformados, pessoas maléficas para a nossa comunidade, maléficas para o desenvolvimento futuro do nosso município. Porque não é verdade, simplesmente porque não é verdade.

A lei da Serra do Japi foi prorrogada por 10 anos, o seu impedimento de construções, inclusive em áreas que estão no entorno da Serra do Japi. Então existe uma zona de amortecimento, uma zona de conservação, uma reserva biológica e tem uma lei que eu promulguei, que foi feita pela Câmara Municipal de Jundiaí e que eu promulguei por mais 10 anos da impossibilidade de qualquer empreendimento que afete a Serra do Japi.

Então nós não podemos fazer isso, é injusto com a cidade, é injusto com as próximas gerações que o prefeito sente na cadeira e fique olhando só pra obra do ano que vem. Ele precisa olhar para a obra de 20, 25, 30 anos. Nós já contratamos desde o passado empresas para fazerem essas análises e chegou a hora de tratarmos com responsabilidade desse tema.

Eu fico absolutamente disponível à comunidade jundiaiense, disposto a enfrentar essa discussão que, volto a dizer, não é a discussão do interesse de um proprietário, não é a discussão do interesse de uma pessoa, de uma família. Não, é a discussão de 415 mil pessoas que estão morando na nossa cidade, enxergando o crescimento e o desenvolvimento da nossa cidade e que não podem se furtar de ter o direito da informação correta.

Estamos dispostos a mostrar à comunidade, aos ambientalistas, ao próprio proprietário da fazenda. Seu Antonio é alguém de boa fé. Eu conheço ele, conheço a Andreia (esposa de Antonio Mendes Pereira), conheço a Fazenda. Ele é de boa fé, mas eu vou dar a ele mais informações para que ele possa formar o seu juízo e a sua convicção.

É muito necessário que se diga isso: chega de político que senta na cadeira e fica só pensando na eleição do ano que vem. Eu quero ver pensar na água dos filhos e dos netos. E eu vou enfrentar essa discussão. Eu vou ter a coragem de dizer às pessoas que eu quero mais empresas na cidade porque eu quero mais emprego na cidade. Mais empresas na cidade porque assim socialmente a gente se desenvolve e eu quero o bem estar de quem está em casa e sabe da importância de abrir a torneira e a água chegar às suas casas.

Então isso precisa ser feito e eu tenho a convicção clara, me esforço muito, para resolver os problemas da cidade, que não são poucos. Todo dia é transporte, é unidade de saúde, é exame, é consulta, é hospital. Enfim é segurança, é guarda municipal, é equipamento, é armamento, enfim. Todos os dias eu estou me esforçando, mas chega uma hora que nós sentamos lá e dizemos o seguinte: e daqui a 30 anos a cidade vai ser o que? E daqui a 20 anos se nós tivermos a chance de trazer pra cá essas grandes empresas de tecnologia que se utilizam de energia e água elas estarão aonde? Nós seremos competitivos como?

Campinas que é uma cidade referência no desenvolvimento econômico ainda faz captação no fio d’água. Chega a época de crise das empresas se desesperam porque não sabem o que vão ter e aqui eu já aumentei neste mandato, nos últimos 2 anos e 2 meses que estou à frente do governo, já aumentamos em 1 bilhão de litros de água a reserva de nossa cidade e agora vou sim deixar encaminhado esse projeto que não colocará em risco nem a fauna e nem a flora local.

Porque toda e qualquer construção de represa parte do princípio da realização de um EIA-Rima (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental), que trata de todos possíveis danos resultantes da represa e qualquer medida mitigatória que possa ser pautada para a recuperação dos mesmos.

Então eu não tenho dúvida nenhuma de que a administração está no caminho correto e a cidade decide. Se a cidade entender que não precisa se preocupar mais com água é uma decisão da cidade. Mas eu só vou dormir com a consciência tranquila e limpa se eu começar agora algo que não vai beneficiar esse governo ou o governo seguinte. Quem vai se beneficiar são as próximas gerações.

Ele (Antonio) diz que o investimento é de 300 a 500 milhões de reais. De fato é um investimento de 300 milhões de reais, de fato para o conjunto de represas do vetor Oeste, da Estação de Tratamento de água do vetor Oeste. Mas isso não será feito, em hipótese alguma, pelo menos nos próximos dois anos não se inicia uma obra como essa porque os estudo precisam ser feitos.

Ontem eu conversei com uma pessoa que disse: Luiz, inclusive precisamos ver o estudo de vazão de água da Serra. E está correto. Tem água suficiente pra represar? Não tem? Porque se tiver porque nós abriríamos mão dessa discussão? Por que o prefeito não faria essa discussão? Por medo de enfrentar? Por medo de dizer às pessoas que nós precisaremos de água sim pro futuro da cidade? Não é justo. Chega de covardia na política. Chega de pessoas passivas. Nós precisamos é agir. Nós precisamos agir em benefício do cidadão.


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