Pequeno guia para entender o que é que está acontecendo

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As notícias da semana trazem informações fundamentais para entender a história recente do País e suas conexões com a geopolítica global.

Segue aqui um pequeno guia de leitura para que você, leitor do Oa, compreenda melhor a situação e suas consequências.

The Intercept e as denúncias envolvendo Moro e Dallangnol

O site The Intercept Brasil divulgou quatro reportagens que mostram a conexão entre o então juiz e hoje ministro da Justiça Sergio Moro e o procurador da Operação lavaJato Deltan Dallangnol.

Aqui estão os links. Vale investir um tempo para ler e analisar todo conteúdo.

Como e por que o The Intercept está publicando chats privados sobre a Lava Jato e Sergio Moro

Procuradores da Lava Jato tramaram em segredo para impedir entrevista de Lula antes das eleições por medo de que ajudasse a ‘eleger o Haddad’

Deltan Dallagnol duvidava das provas contra Lula e de propina da Petrobras horas antes da denúncia do triplex

Chats privados revelam colaboração proibida de Sergio Moro com Deltan Dallagnol na Lava Jato

A mais importante revelação da reportagem do The Intercept é a colaboração entre Deltan e Moro.

Na sequência das revelações tanto Moro quanto Dallangnol buscaram justificar a colaboração como se fosse algo normal, mas só que não. O presidente condecorou Moro, mas não o defendeu publicamente. Os jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e O Globo pediram o afastamento de Moro e Dallangnol — a oposição no Congresso também.

Espera-se uma nova sequência de reportagens. O premiado jornalista Glenn Greenwald, editor do site The Intercept, já disse que o que foi publicado corresponde a apenas uma parcela ínfima do que está sendo editado pelo site.

Saiba quem é Glenn Greenwald, um dos mais respeitados jornalistas da atualidade

Glenn Greenwald é um escritoradvogado e jornalista norte-americano, especialista em direito constitucional. Em junho de 2013, através do jornal britânico The Guardian,  Greenwald foi um dos jornalistas que, em parceria com Edward Snowden, levaram a público a existência dos programas secretos de vigilância global dos Estados Unidos, efetuados pela sua Agência de Segurança Nacional (NSA).

A reportagem sobre o programa de espionagem da NSA ganhou o Prêmio Pulitzer de jornalismo em 2014 e, no Brasil, foi agraciado com o Prêmio Esso de Reportagem, por artigos publicados no jornal O Globo acerca do sistema de vigilância virtual dos Estados Unidos em território nacional.

A melhor definição do momento e da estratégia de Greenwald, talvez, seja a de Renato Janine Ribeiro, publicada no Facebook do autor e reproduzida aqui.

Brilhante, a estratégia de Glenn Greenwald

1. Assumiu o protagonismo do jogo. Seus alvos estão fazendo exatamente o que ele quis ou previu. Ele controla o tabuleiro. Pela primeira vez desde 2015, a extrema-direita perdeu a iniciativa.

2. Os procuradores e Moro responderam a ele justamente o que ele queria: confirmaram a autenticidade das fitas. Foram debater a forma, não o conteúdo. Assim disseram: você, Glenn, diz a verdade.

3. Ele previu até o argumento que iam usar: a defesa da lei e da privacidade. E respondeu a isso domingo, antes mesmo da reação do grupo: vcs não fizeram isso com Dilma? Que moral têm? Assim, tirou deles o argumento moral, que era o principal da LavaJato e que esta conduziu para a ideia de que os fins justificam os meios.

4. Enquadrou a mídia pátria. A imprensa internacional caiu matando. A Folha de hoje tem um relato bom das reações no estrangeiro. E os jornais de fora que li chamam todos nosso governo de exceção de “extrema-direita”. Nenhum usa o eufemismo “direita” (direita é Merkel, cara-pálida!) ou “liberal” (liberal é o Economist, stupid!). Vai ser difícil passar pano por muito tempo.

5. Ao dizer que não divulgaria as intimidades dos membros do grupo , mostrou-se superior a eles (que publicaram conversas privadas de dona Mariza – sem falar na subtração do iPad do pequeno, hoje falecido, Artur) – e deve ter causado medo de que divulgue. Acuou-os.

6. Finalmente, anunciou que soltará mais dados a conta-gotas. Tornou-se senhor do tempo ou, se quiserem, é quem decide quais serão as próximas etapas, o desdobramento do assunto (até porque ninguém sabe o que ele sabe).

E pra ir mais além e entender melhor a possível origem dos arquivos, leia essa análise de Luiz Nassif, um dos jornalistas mais bem informados do País.

Xadrez do inquérito do STF e o The Intercept

Concluindo, por enquanto: as consequências dos vazamentos, suas implicações políticas e os próximos capítulos da história são imprevisíveis, obviamente. Mas o fato é que os acontecimentos recentes da política brasileiras terão que ser revistos a partir deles.

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