Por Bruno Galiego

Uma das figuras mais conhecidas do Rap na nossa região está de volta ao front. O rapper campo-limpense, Yanick Shazam, mostra seu arsenal sonoro na mixtape “Guerra da Arte Vol. I”, terceiro trabalho do músico lançado pela Sala Verde Entretenimento. O responsável pela gravação, mixagem e masterização da obra foi Pedro “Drôga” Gabriel, do Estúdio Sala Verde.

Influenciado pelo livro “A Guerra da Arte”, do escritor estadunidense Steven Pressfield, Yanick Shazam me explicou que o seu novo trabalho representa a superação dos seus bloqueios interiores em relação à criatividade. “O livro dá explicações sobre bloqueios e crises criativas, e eu estava passando por isso. O autor explica que ocorre como uma guerra mesmo, ele prega a resistência e o exercício diário para se desbloquear, aperfeiçoar e sempre ter inspiração”, resumiu.

Shazam vai além. Ele explica que esses bloqueios, causadores da guerra artística, também são gerados por fatores externos. Para tornar palpável o entendimento, o rapper lembrou das últimas perseguições de cunho conservador contra artistas de diversas áreas. “Também tem a ver com os moldes impostos pela cultura, parece que temos que seguir certas fórmulas tipo ‘o que preciso fazer para ser visto?’. E outra, os conservadores perseguindo o Funk, o João Doria passando por cima de uma arte que teve uma dedicação de um artista. É uma guerra, é a resistência. Guerra da arte é principalmente sobre resistir e continuar fazendo arte”, revelou.

Resistir e continuar, é isso que Yanick Shazam deixa evidente em seu novo trabalho. E tem mais, em “Guerra da Arte Vol. I” o rapper se mostrou muito atento aos novos ritmos que estão girando em torno do Rap/Hip-Hop. As canções “Navegante” e “Sonho Lúcido”, por exemplo, mesclam a sonoridade tradicional do Boom Bap com toques leves do contemporâneo Vaporwave. Um destaque especial para a canção “Batem as Portas”, que possui um ritmo contagiante e uma lírica que praticamente aglutina o que a mixtape busca passar para o ouvinte: Eles só querem impor a sua postura/Querem definir o que é arte ou cultura/Defendem fascistas, também ditaduras/Queriam uma chance de te ver na rua. Pesado.

O rapper garante que as mesclas sonoras continuarão sendo indispensáveis nos próximos projetos. “Eu sempre busco a inovação, hoje em dia eu escuto mais Trap do que Boom Bap. Também sempre fui fã desses subgêneros mais sulistas como o Dirty South, o Crunk e o próprio Trap. ‘Guerra da Arte Vol.I’ é um trabalho que está marcando uma mudança, pois no volume dois pretendo sair da zona de conforto”, explicou.

Yanick Shazam recrutou um exercito de peso para esse combate artístico. Além do parceiro inseparável, Drôga, o rapper também contou com as participações de Camila Rocha, Weed e Rodrigo Neves, que somaram nas vozes. As bases rítmicas ficaram por conta dos beatmakers Pensante, Izabela Reis, Nnay e O Adotado. O trabalho artístico elaborado para estampar a mixtape foi cuidadosamente produzido por João “Adolfuzz” Churchill.

O rapper também me contou um pouco sobre as futuras batalhas que ele e o seu exército artístico irão enfrentar daqui pra frente. “A ideia é continuar gravando. Já tenho algumas canções engatilhadas, uma mixtape na verdade. Também estamos com o selo Sala Verde Entretenimento, que contará com uma mixtape própria. Sobre clipes, já estão rolando os das das canções ‘Busca’ e ‘Ébrio’, mas pretendo lançar mais três. Bom, 2018 será um ano recheado de novidades”, garantiu.

Ouça “Guerra da Arte Vol. I” e depois veja os clipes das canções “Busca” e “Ébrio”:

 

 

Foto de abertura: Pedro “Drôga” Gabriel

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2 thoughts on “O arsenal sonoro de Yanick Shazam em “Guerra da Arte Vol. I”

  1. Renata Porto says:

    Parabéns pelo seu novo trabalho! Sei o quanto vc se dedica para que tudo saia da melhor maneira possível. Todo sucesso do mundo pra vc e seu exército!

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