Por Bruno Galiego 

Na estrada desde janeiro de 2016, o rapper Felipe Real é aquele tipo de sujeito simples que tem boas histórias para contar, como aquele tio bacana que todo mundo tem. Uma parte significativa de suas boas histórias estão embaladas ao ritmo do Boom Bap em seu EP de estreia, “Entre Linhas”, lançado em novembro do ano passado. A obra contou com produção de EmiKá Beatz, do estúdio Novo Mundo.

Composto por oito faixas, “Entre Linhas” segue a simplicidade rítmica do Rap noventista. Uma introdução muito interessante, composta por áudios de amigos do rapper, dá boas vindas ao ouvinte e mostra o quanto Real é querido. A esfera lírica carrega uma certa melancolia, porém revela a sede de Felipe Real pelo progresso. “Eu sempre escrevi, desde pequeno. E foi no Rap que me descobri. Tive uma infância sofrida, tudo que escrevo é relacionado ao que eu vivo. Quando eu falo da rua é pelo fato de estar a rua, quando eu falo do céu é pelo fato de buscar algo melhor”, explica o rapper.

Entre o céu e o inferno que é a rua, Felipe Real segue firme e forte com suas influências do Rap nacional, tão evidente em singles como “É o Jogo Tiu” e “Ainda Há Luz”. “Entre Linhas” vem na mesma pegada, canções como “Poesia Sangra” e “Sonhos” remetem aqueles batidões sinistros que muitos de nós ouvíamos no Espaço Rap, no final dos anos 90. “Eu me desenvolvo muito mais no Boom Bap. A gente até pensou em Trap, mas eu não me preparei para isso. É questão de influência, eu escutava muito Facção Central e foi isso que me motivou. E claro, Notorious Big, Tupac, essas batidas mais gangsta”, ponderou Real.

Para deixar o trabalho ainda mais consistente, além da parceria sólida com Emiká na fase de criação e na canção “Sonho”, Real também conta com o apoio de Thiago “Alda” na faixa título, JaqLuz em “Vida”, Luno em “Poesia Sangra”, Mk em “Universo Interno” e Mano Ferpa em “Fly”. “No começo não íamos ter participações, mas depois eu percebi que tinha que ter outra visão. Tinha que ter o outro lado da moeda”.

Bom, agora ouça “Entre Linhas”, o trabalho de estréia de Felipe Real:

 

Foto de abertura: Pedro Gabriel Soares 

 

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