Por Bruno Galiego

“Erro ortográfico também compõe poesia”. Foi isso que o rapper Chábazz me disse em um bate papo que tivemos em novembro passado sobre o seu trabalho de estreia, o EP “Umano Demasiado Humano”. A obra, produzida pelo selo Sound Food Gang e com distribuição em todas as plataformas digitais pela ONErpm, apresenta 10 canções que revelam as diversas facetas sentimentais do músico.

Logo de cara, no título do EP, dá para ter uma ideia do que vem pela frente. A analogia feita por Chábazz ao referir-se à “Humano, Demasiado Humano”, primeira obra do filosofo alemão Friedrich Nietzsche, não é a toa. O rapper me explicou que ele busca expor suas experiências, assim como fazia Nietzsche.

“O livro me instigou muito. Percebi que seria interessante fazer essa analogia pelo fato do meu tempo ser diferente, do meu país ser diferente. Inseri minha vida nesse contexto de ‘Humano, Demasiado Humano’. Excessos, problemas de relacionamentos, pensamentos voltados para a liberdade. Com isso, criei um universo”, explicou.

Para quem já ouviu os projetos nos quais o rapper esteve envolvido, a surpresa será grande quando ouvir “Umano Demasiado Humano”. Aquela pegada noventista na qual Chábazz já estava habituado no E=MC², Vício&Versu e até nos singles “Meu Nome não é Capone”, “Vertigem” e “Velhaco”, foi deixada de lado. Trap, R&B, música eletrônica e o contemporâneo Vaporwave são os ritmos que acompanham as rimas.

“A proposta é quebrar os padrões sonoros. A minha intenção é fugir dos rótulos do mercado musical e do Rap em si. Eu já estava no processo de produção com o Érrea, mas em outras canções eu fui adicionando elementos sonoros diferentes que fui conhecendo. Com isso, outros sons tiveram batidas produzidas por Yung Buda, Chinv, Cigarette Palace e O Adotado. É por essa razão que há uma amplitude sonora no EP”, revelou Chábazz.

Essa amplitude apontada pelo rapper é muito evidente nas faixas “Deus da Calamidade” e “Alter Ego” – que já contam vídeo clipe – e, principalmente, a dobradinha “Quincy Jones/Glitchboy”, que possui um contexto muito interessante. “A faixa dupla ‘Quincy Jones/Glitchboy’ diz muito sobre o que busco para o futuro. Jones é um grande produtor de trilha sonora, um verdadeiro monstro. Fiz a canção ‘Quincy Jones’ imaginando uma trilha sonora para um determinado acontecimento da minha vida e, a sequência, ‘Glitchboy’ é o acontecimento”, contou o músico de forma bem humorada, e um pouco confusa.

E seguindo aquela velha tradição cooperativa do Rap, Chábazz convocou Mano Will para versar na canção “Dois Lados da Moeda”. “Quando o Mano Will o primeiro trabalho dele, o ‘Aprendizados’, ele havia me convidado. Agora, nada mais justo do que convidá-lo para participar do meu primeiro trabalho”, declarou o rapper.

Confira os singles de “Umano Demasiado Humano”:

 

Agora, ouça a obra completa:

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